Raízen avança em desinvestimentos após Cade autorizar venda da Bio Polares

A Bioenergia Barra, empresa controlada indiretamente pela Raízen, recebeu autorização da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para vender a Bio Polares. A companhia alienada é responsável por uma central de minigeração de energia elétrica movida a biogás, proveniente do Aterro Sanitário Dois Arcos, localizado no município de São Pedro da Aldeia (RJ).

O aval do Cade foi publicado na quarta-feira (28) no Diário Oficial da União, e o valor da operação foi mantido em sigilo. Ainda assim, o mercado reagiu positivamente, com as ações da Raízen subindo 20% e encerrando o pregão de quarta-feira a R$ 1,08, superando pela primeira vez em meses a marca de R$ 1.

A compradora é a GNR Dois Arcos Valorização de Biogás, conhecida pela sigla GDA. A empresa atua na produção de biometano a partir do biogás gerado no mesmo aterro, com foco na comercialização desse combustível. 

 Segundo informações apresentadas ao órgão antitruste, a Bioenergia Barra informou que a venda faz parte de seu plano de desinvestimento em geração distribuída. De acordo com a empresa, a estratégia tem como objetivo direcionar esforços e recursos para as atividades consideradas centrais ao seu modelo de negócios. Nos últimos meses, a Raízen realizou vendas de usinas e ativos como parte da estratégia de desinvestimento.

Dados operacionais

Ainda na quarta-feira, a Raízen registrou queda na moagem de cana-de-açúcar nos nove primeiros meses da safra 2025/26, período que concentra a maior parte da atividade industrial do setor, em sua prévia operacional do terceiro trimestre do ano-safra. 

O volume processado somou 70,3 milhões de toneladas, recuo de 9,2% em relação às 77,5 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo da safra anterior. No terceiro trimestre, a moagem foi de 10,6 milhões de toneladas, abaixo das 13,8 milhões de toneladas processadas no mesmo período do ciclo 2024/25.

De acordo com a empresa, o desempenho foi impactado principalmente por fatores climáticos adversos. A safra anterior já havia sido marcada por uma entressafra mais seca, além de queimadas no segundo semestre do ano passado. No início da safra 2025/26, algumas regiões ainda foram afetadas por geadas. Esses eventos reduziram tanto a produtividade agrícola quanto a qualidade da cana colhida.

Além do clima, a Raízen também reduziu o volume processado em função da venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana para outras usinas, movimento relacionado a processos de otimização operacional e desinvestimento de ativos.

A produtividade média no campo caiu 5,2%, passando de 77 para 73 toneladas por hectare. Esse indicador mede quanto de cana é colhido por área plantada e é um dos principais determinantes do volume total processado pelas usinas.

Com menor moagem e pior qualidade da matéria-prima, a produção total de açúcar e etanol também recuou. A produção de açúcar equivalente (métrica que consolida açúcar e etanol em um único indicador) caiu 10,4% no acumulado de nove meses, totalizando 9,126 milhões de toneladas. No mesmo período da safra anterior, o volume havia sido de 10,19 milhões de toneladas.

A qualidade da cana também apresentou leve deterioração. O teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), que indica a quantidade de açúcar possível de ser extraída por tonelada de cana, caiu de 136 para 135 quilos por tonelada processada.

Vendas

No terceiro trimestre, a produção de açúcar equivalente foi de 1,54 milhão de toneladas, abaixo das 1,86 milhão de toneladas registradas um ano antes.

As vendas acompanharam o menor nível de produção. No acumulado da safra, as vendas de etanol próprio recuaram 17,7%, para 2,091 milhões de toneladas, enquanto as vendas de açúcar caíram 5,2%, para 4,037 milhões de toneladas. A geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana também diminuiu 13,2%, totalizando 1,656 milhão de megawatts-hora (MWh).

No que se refere ao mix de produção, a companhia manteve no terceiro trimestre a mesma proporção do ano anterior: 44% da cana destinada à produção de açúcar e 56% à produção de etanol. No acumulado de nove meses, porém, o mix foi mais favorável ao açúcar, com 53% da produção voltada ao adoçante e 47% ao etanol, refletindo uma estratégia mais açucareira ao longo da safra.

As vendas de etanol próprio totalizaram 2,09 milhões de metros cúbicos, frente a 2,54 milhões de metros cúbicos no ciclo anterior, em linha com a menor moagem e com o direcionamento maior da produção para açúcar.

Em contrapartida, a produção de etanol de segunda geração (E2G), feito a partir de resíduos da cana, apresentou crescimento. Foram produzidos 39,2 mil metros cúbicos no trimestre e 104,9 mil metros cúbicos no acumulado da safra, volumes superiores aos do ciclo anterior. A empresa atribui o avanço à expansão gradual das plantas Univalem, Barra e Bonfim.

A Raízen informou ainda que entrará em período de silêncio a partir de 29 de janeiro de 2026, em linha com suas práticas de governança corporativa. Os números finais e auditados do terceiro trimestre da safra 2025/26 serão divulgados em 12 de fevereiro de 2026.

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