Análise sugere que EUA são responsáveis ​​por ataque a escola no Irã

Os Estados Unidos provavelmente são responsáveis pelo ataque a uma escola primária no sul do Irã que matou dezenas de crianças, segundo análise da CNN e de especialistas.

Imagens de satélite, vídeos geolocalizados, declarações públicas de autoridades americanas e a avaliação de especialistas em munições sugerem que a escola primária Shajare Tayyiba, em Minab, foi atingida em 28 de fevereiro, aproximadamente na mesma hora de um ataque que provavelmente foi realizado por forças americanas contra uma base naval vizinha da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica).

A Casa Branca não descartou a possibilidade de que militares americanos tenham realizado o ataque que, segundo a mídia estatal iraniana, matou pelo menos 168 crianças e 14 professores.

Um porta-voz das FDI (Forças de Defesa de Israel) afirmou em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (6) que “não tinha conhecimento de nenhuma atividade das FDI na área”.

Ambos os países enfatizaram que não têm como alvo civis.

Ao avaliar qual força militar é responsável por um ataque específico – em qualquer conflito – a CNN normalmente obtém imagens dos destroços das armas utilizadas no ataque e as fornece a especialistas em munições para que sua origem possa ser determinada.

Com o bloqueio da internet imposto pelo Irã, as imagens e filmagens do local são limitadas. A CNN não conseguiu examinar tais evidências neste caso, portanto, qualquer avaliação não pode ser cconclusiva

No entanto, outras evidências apontam para a responsabilidade dos EUA pelo ataque, que ocorreu na manhã de sábado (28) – o primeiro dia da semana de trabalho e de aulas no Irã.

Vídeos geolocalizados pela CNN mostram que a escola foi atingida no mesmo horário ou em um horário próximo ao do ataque à base naval. Um desses arquivos mostram fumaça saindo tanto da instalação da Guarda Revolucionária Islâmica quanto do prédio da escola.

Imagens de satélite de 2013 mostraram que a escola e a base da Guarda Revolucionária Islâmica faziam parte do mesmo complexo. Mas imagens de 2016 revelaram que uma cerca havia sido erguida para separar a escola do restante da base e que uma entrada separada para a escola havia sido construída.

Em dezembro de 2025, imagens mostraram dezenas de pessoas no pátio da escola, aparentemente jogando no que parece ser uma quadra.

N.R. Jenzen-Jones, especialista em munições e diretor do Serviço de Pesquisa de Armamentos, disse à CNN que as imagens e vídeos de satélite "mostram múltiplos ataques simultâneos ou quase simultâneos" atingindo tanto o complexo da Guarda Revolucionária Islâmica quanto a escola.

Inicialmente, circularam especulações online de que a explosão na escola poderia ter sido causada por uma falha no sistema de defesa aérea iraniano, enquanto a IRGC tentava repelir os ataques aéreos.

Mas Jenzen-Jones afirmou que essa explicação era improvável, visto que imagens recentes da base naval mostravam que os edifícios sofreram danos significativos, sugerindo que foram atingidos por munições guiadas de precisão lançadas do ar, e não por “mísseis de defesa aérea que falharam”.

“Estamos vendo ataques direcionados que parecem ter como objetivo inutilizar esses edifícios. Esse é o resultado mais provável”, acrescentou.

Jenzen-Jones também afirmou que bases militares como a de Minab costumam estar entre os “alvos pré-planejados” a serem atingidos nos primeiros confrontos de um conflito.

Autoridades americanas confirmaram que os EUA atacaram alvos militares no sul do Irã. Em um briefing na quarta-feira (4), o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, apresentou um mapa que mostrava os ataques americanos e israelenses contra o Irã nas primeiras 100 horas da guerra.

Ele disse que Israel atacou principalmente o norte do Irã, enquanto os Estados Unidos atacaram o sul.

Caine pontuou que, ao longo do "eixo sul" do Irã, as forças americanas "continuaram a exercer pressão marítima, ao longo da costa sudeste, e vêm reduzindo a capacidade naval ao longo de todo o Estreito e no Golfo Pérsico, em uma escala e tamanho suficientes para atingir os alvos necessários".

A explicação mais provável para o ataque à escola, segundo Jenzen-Jones, é que os EUA atingiram inadvertidamente a instalação enquanto realizavam o ataque à base naval, sem perceber que a escola não fazia mais parte do complexo da Guarda Revolucionária Islâmica, ou por não terem atualizado seus oficiais de seleção de alvos.

"Provavelmente foi uma falha de seleção de alvos. Em algum ponto do ciclo de seleção de alvos, uma falha de inteligência fez com que a lista de alvos não fosse atualizada, ou uma decisão tomada posteriormente no ciclo resultou no ataque ao alvo errado", destacou o especialista.

Autoridades americanas não confirmaram nem negaram a responsabilidade.

Questionado sobre o caso, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos encaminhou a CNN ao Centcom (Comando Central), que afirmou à CNN que “seria inapropriado comentar, visto que o caso está sob investigação”.

O Centcom havia declarado anteriormente que estava “ciente de relatos sobre danos a civis resultantes de operações militares em andamento” e que estava “investigando-os”.

O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou na quarta-feira que uma investigação havia sido iniciada.

Embora a apuração esteja em andamento e ainda não tenha sido concluída, a Reuters noticiou nesta sexta que investigadores militares americanos acreditam ser provável que as forças americanas sejam responsáveis ​​pelo ataque à escola.

Volker Türk, chefe de direitos humanos da ONU, afirmou na sexta-feira que a organização tem “sérias preocupações” sobre se os ataques estão em conformidade com o direito internacional humanitário.

Ravina Shamdasani, porta-voz da ONU, disse à CNN que o ataque “não pode se tornar apenas mais um incidente horrível que sai das manchetes e deixa de ser prioridade. É preciso haver responsabilização”.