A maioria dos índices de ações na Europa apresentavam queda no início de pregão desta terça-feira (20), ampliando as perdas da véspera, após o presidente dos EUA, Donald Trump, continuar sua pressão para assumir o controle da Groenlândia e ameaçar reacender a guerra comercial com a Europa.
Trump afirmou que não pensava mais "apenas em paz" após não ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz e reiterou a ameaça de aumentar as tarifas sobre os membros da UE Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Suécia e Holanda, juntamente com a Grã-Bretanha e a Noruega, até que os EUA sejam autorizados a comprar a Groenlândia.
O mercado também repercute falas de líderes globais no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suiça, nesta terça. O discurso de Trump no evento é aguardado por investidores.
Os líderes da UE discutirão opções, incluindo tarifas no valor de 93 bilhões de euros (US$ 109 bilhões) sobre as importações dos EUA, em uma cúpula de emergência em Bruxelas na quinta-feira (22).
O índice europeu STOXX 600 estava em queda de 1,4% por volta das 8h (horário de Brasília), após ter recuado 1,2% na segunda-feira, enquanto o índice MSCI World Equity caía 0,2%.
Já o FTSE 100, do Reino Unido, estava em queda de 1,4%.
Novas tarifas
Trump ameaçou separadamente impor tarifas de 200% sobre os vinhos e champanhes franceses, numa aparente tentativa de persuadir o presidente francês Emmanuel Macron a aderir à sua iniciativa Conselho da Paz.
Amelie Derambure, gestora sênior de portfólios multiativos da Amundi em Paris, afirmou que a queda nos mercados foi resultado de "realização de lucros por precaução e alguma redução de risco", mas que os mercados foram favorecidos pelo cenário macroeconômico.
Dados econômicos recentes apontam para crescimento e desaceleração da inflação, e seus portfólios permanecem orientados ao risco, disse ela.
"A situação na Groenlândia preocupa os mercados. Por enquanto, permanece relativamente controlada, não há motivo para pânico", disse ela.
"Não vejo, por enquanto, nada comparável ao Dia da Libertação ou a algo muito impactante para os mercados ", acrescentou ela.
O índice do dólar caiu 0,6% no dia, em seu segundo dia consecutivo de perdas, para US$ 98,485, e o euro subiu 0,7% em relação ao dólar, para US$ 1,1726, sua maior cotação desde 6 de janeiro.
Rendimentos dos títulos do governo dos EUA disparam
Enquanto os investidores avaliavam o risco de Trump reacender uma guerra comercial com a Europa devido à Groenlândia, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA atingiram o nível mais alto desde setembro no início do pregão.
Os mercados dos EUA estavam fechados na segunda-feira devido a um feriado, portanto, os movimentos foram uma reação tardia aos acontecimentos que começaram durante o fim de semana.
O spread entre o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos e o de 10 anos, assim como o spread entre o rendimento dos títulos de dois anos e o de 10 anos, estavam ambos prestes a registrar a maior inclinação diária desde agosto de 2025.
Em outros lugares, os rendimentos dos títulos do governo japonês atingiram níveis recordes devido a preocupações de que os cortes de impostos piorem as finanças do governo. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, convocou eleições gerais antecipadas para segunda-feira.
Os preços do petróleo subiram ligeiramente, com os contratos futuros do petróleo Brent em alta de 0,2%, a US$ 64,01 o barril, e os do petróleo bruto WTI (West Texas Intermediate) dos EUA em alta de 0,5%, a US$ 59,72 o barril, impulsionados pelas expectativas de crescimento econômico global.
O ouro atingiu um recorde histórico, ultrapassando os 4.700 dólares por onça.