Relator: CPMI do INSS não vai ignorar suposta compra de figuras por Vorcaro

Ao WW, o relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), disse que a comissão parlamentar “perdeu muito tempo” ao ficar sem acesso a dados sigilosos obtidos em relação ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

“Espero que os dados ofereçam elementos robustos para o que a CPMI está buscando, que é a recomposição da confiabilidade do sistema de previdência e o apontamento a todos que foram responsáveis por este grande desvio”, afirmou Gaspar nesta sexta-feira (20).

“E é claro: nós não vamos passar ao largo da suposta compra de figuras da República pelo senhor Vorcaro”, alertou.

O ministro do STF André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal tanto do processo envolvendo o Banco Master quanto do que investiga fraudes em descontos em folhas de aposentados, autorizou nesta sexta-feira (20) que a CPMI do INSS volte a acessar dados obtidos com quebras de sigilo contra Vorcaro.

A decisão de Mendonça devolve à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito informações de Vorcaro que compreendem o período entre 2016 e novembro de 2025.

Assim, a comissão volta a ter acesso a conversas de Vorcaro em redes sociais, registros em aplicativos de mensagens, extratos bancários, dados sobre negócios imobiliários, entre outras informações.

As quebras haviam sido aprovadas pela CPMI em dezembro, sob a justificativa de esclarecer se fraudes financeiras que teriam sido cometidas pelo Master também estariam ligadas à oferta de crédito consignado pelo banco.

Porém, uma semana depois de a CPMI aprovar os requerimentos, o então relator do processo no STF, Dias Toffoli, ordenou que os dados ficassem restritos e custodiados temporariamente com a presidência do Senado.

Agora, a presidência da Casa terá que entregar os dados integralmente aos investigadores da PF que estão se debruçando sobre as suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. Por sua vez, a Polícia Federal deverá compartilhar estas informações tanto com agentes da corporação que apuram o caso Master, quanto com a CPMI.

“Também estará nessa investigação (na CPMI do INSS) o sistema financeiro”, acrescentou Gaspar. Na visão do relator, tal elemento “faz parte do escopo” do colegiado, que tem a “obrigação de apresentar ao Brasil quais são os responsáveis pelos roubos contínuos a aposentados e pensionistas”.

Em janeiro, o INSS afirmou que identificou potenciais irregularidades em cerca de 250 mil contratos de empréstimo consignado firmados pelo Master com aposentados e pensionistas. Se comprovadas, tais fraudes alcançariam R$ 2 bilhões.

Antes, em outubro de 2025 — um mês antes de o Banco Central decretar a liquidação do Master por fraudes —, o INSS já havia decidido não renovar o convênio que mantinha com o banco de Vorcaro.

Em nota na época, o instituto apontou um “volume expressivo de reclamações” de beneficiários sobre o Master, tratando de dificuldade de cancelamento de consignados, cobranças indevidas e operações não reconhecidas.

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