O chefe da Mercedes, Toto Wolff, acusou fabricantes rivais da Formula One de se unirem contra sua equipe para pressionar a FIA a mudar as regras dos motores, mas afirmou que isso não fará diferença para o time alemão.
O dirigente austríaco falou durante os testes de pré-temporada no Bahrein, na quinta-feira (19), um dia após a FIA anunciar, por meio de uma votação eletrônica, a proposta de fechar uma suposta brecha no regulamento com uma alteração prevista para entrar em vigor a partir de agosto.
Equipes adversárias acusam a Mercedes — fornecedora de unidades de potência para quatro times, incluindo a campeã McLaren — de explorar uma área cinzenta do regulamento para obter ganho de desempenho por meio de taxas de compressão e da expansão térmica de componentes do motor.
Wolff disse a repórteres que os favoritos da pré-temporada aceitariam a mudança, mas questionou a forma como o processo foi conduzido. “Ou seguimos com o regulamento como está, ou a votação eletrônica avança na sexta-feira com a proposta que veio da FIA. As duas opções são aceitáveis para nós”, afirmou.
“Dissemos desde o início que isso parece uma tempestade em copo d’água. Não muda nada para nós, seja mantendo tudo como está ou alterando o regulamento. Também queremos ser bons cidadãos no esporte”, completou.
O dirigente afirmou compreender a preocupação caso os números de desempenho divulgados estivessem próximos da realidade. “Se você tem outras quatro unidades de potência exercendo enorme pressão sobre a FIA em determinado momento, que escolha temos além de não entrar no jogo?”, questionou.
Além da Mercedes, Ferrari, Audi, Red Bull e Honda são fornecedoras de unidades de potência. Todas enfrentam um grande desafio nesta temporada, que marca o início de uma nova era de motores na Fórmula 1.
“Você desenvolve um componente dentro do regulamento, isso é confirmado, e então todos os outros se unem e dizem que é ilegal. Os reguladores passam a sofrer pressão. É assim que deveria funcionar?”, disse Wolff.
“Filosoficamente, discordo. Mas foi assim nos últimos 50 anos da Fórmula 1, e desta vez fomos o alvo. Talvez na próxima sejamos nós a nos unir contra alguém, por acreditarmos que algo não está certo.”
Houve ainda especulação na imprensa de que a Mercedes teria enfrentado problemas para certificar seu combustível 100% sustentável. Wolff negou.
“Essa é mais uma história. Disseram que nossa taxa de compressão era ilegal, o que é uma completa besteira. Agora surge a história de que nosso combustível é ilegal”, afirmou. “Talvez amanhã inventem outra coisa.”
A temporada começa na Austrália, em 8 de março.